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sábado, 17 de junho de 2017

AMOR, HISTÓRIA E TEOLOGIA GAY

Os últimos meses foram de leituras intensas, de quebra de paradigmas e de aprofundamento de valores que em meu coração, só crescem a medida que vivendo percebo quão verdadeiros e significativos são: humanidade, respeito, justiça, solidariedade, compaixão, entre outros; Não apenas visto de um prima filosófico ou intelectual, mas espiritual e acima de tudo relacional.

Se faz urgente o retorno a estes valores, que devido a pregação contínua da individualidade e com o apoio inclusive daqueles que se dizem cristãos, estão sendo deixados de lado, até que caiam no esquecimento e o homem se transforme em uma máquina sem emoções ou sentimentos, escravizados por si mesmos e por desejos egoístas, em detrimento do outro e não somente do outro humano, mas do outro - o planeta - e tudo o que tem vida e nos cerca.


Uma brecha no armário - Proposta para uma teóloga gay
Fonte Editorial
André S. Musskopf

"Se para homens heterossexuais a masculinidade é uma carga com a qual precisam aprender a lidar, e uma grande pressão atingir o ideal de provedores que a sociedade lhe exige. para os homens gays esta situação é duplamente rigorosa. Numa sociedade em que o sucesso é a medida pela qual se aceita ou rejeita as pessoas, os homens gays têm que ser ainda melhores do que os homens reais".


Martinho Lutero - Um destino
Três Estrelas
Lucien Febvre

"O historiador Lucien Febvre reconstitui passo a passo a trajetória do fervoroso monge agostiniano que, no encalço da verdadeira fé cristã, se insurge contra a igreja católica, é excomungado e se vê, então, no epicentro de sucessivas revoluções - religiosas, sociais e politicas - e muitas vezes manipulado por estes acontecimentos que muitas vezes se entrelaçam a sua historia e com o destino de uma época inteira; o século XVI alemão e europeu. Por detrás dos conflitos religiosos que levaram à maior crise do catolicismo em todos os temos e à criação do luteranismo, delineia-se a idade moderna. Um livro com uma abordagem inovadora da narrativa biográfica, a densidade de suas reflexões e a vibrante escrita de Lucien.


O amor é contagioso - O evangelho da justiça
Fontanar
Papa Francisco

Em um mundo repleto de pobreza, violência, perseguição e indiferença, o Papa Francisco quer nos ensinar a amar. Segundo ele, se o mal é impositivo, o bem é contagioso. E, diante da adversidade, o amor - sinônimo de justiça - é a única força capaz de nos unir. E neste livro nos incentiva a trabalhar por um mundo mais solidário, exercendo a empatia, porque ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo. Através da solidariedade, do acolhimento, da igualdade, da fé e da misericórdia,  o amor é contagioso pretende nos guiar numa jornada pela superação das injustiças no mundo. Doar-se ao próximo: este é o amor divino.

Recomendo as leituras.


domingo, 11 de junho de 2017

A PRAÇA DOS ESCRAVOS

Era por volta das quatro da manhã, a galera após se acabar nos bagulho acenderam umas fogueiras para se aquecer. Quando o efeito da pedra passa, é o que nos resta, frio e fome. 

E nesta madrugada, especialmente fria, muitos possivelmente não acordariam, Seriam assaltados na calada da noite, por um ou pelo outro. Todos os dias eram assim na Praça da libertadora dos escravos. 

Os seus pretos, agora libertos, continuavam a ter um fim trágico: overdose, fome ou frio, nada diferente da senzala. 

Peguei minhas coisas e entrei na barraca armada com pedaços de madeira e papelão. Tentando me esconder do frio e pregar os olhos. O cheio de maconha entrava pelas frestas e com ela um vento gelado, e por mais que tentasse um mísero cochilo, o estômago impedia, doendo, roncava alto. 

Dia estranho, me incomodar assim com a fome, estava sem um puto para mais um barato antes de dormir, ao menos durante a nóia a fome desaparece. E depois, você dorme, não porque tem sono, mas para permanecer no sonho, longe do pesadelo da realidade. 

E entre um cochilo ou outro, se desperta no susto por uma briga, alguém mijando na sua cara ou por alguém tentando roubar o pouco que você tem para mais uma pedra. Não dá nem para julgar. 

Mas, neste noite as coisas estavam estranhas, acho que o frio fez a galera desanimar e querer apenas se aquentar. Um dia frio, drogas, bebidas e uma fogueira, era tudo. 

Mas eles chegaram de repente, eu estava quase pegando no sono, ouvi algumas sirenes  e a agitação. Som de passos rápidos, os cachorros latindo nervosos, olhei pela fresta e vi soldados, armas em punhos, passos fortes no chão, batiam violentamente em que ousava atravessar seu caminho. 

Gritaria, correria, pensei: Hoje é dia?! 
Porque não estão em suas casas aquecidas, em suas camas forradas com almofadas e edredons, dormindo o sono dos justos. 

Impiedosamente invadiam meu lar, para tirar meu sossego. 

Comecei a apanhar minhas coisas, tudo o que tinha cabia em uma sacola de mercado. Os passos apertavam, estavam mais perto, barracas eram derrubadas ao som de gritos: "vai vagabundo, levanta dai" ... "Não adianta correr" ... "se correr vai morrer". .."drogado, filho da puta".

Eles invadiram como uma enxurrada, varrendo tudo, levando o que viam pela frente. 

Apavorado, levantei, peguei minha troxa e tentei correr. Senti uma paulada nas pernas, cai, levei comigo uma barraca que caiu próximo a uma fogueira, levantando faíscas e espalhando brasas. Em pouco tempo, enquanto eu ainda me arrastava no chão, o fogo se espalhou. 

Fui puxado pelos cabelos, arrastado por alguns metros, até que me ergueram. 
Puta que pariu a praça estava em chamas. Sons de sirenes, barulho de helicóptero, soldados por todos os lados, gente sendo algemada, ouras apanhando por resistir.

E a praça em chamas, o fogo da justiça de um lado e da injustiça do outro.
Que a ambos consome de ódio.

A praça estava em chamas,  e a culpa era minha. 

Morador de rua, vagabundo, safado, drogado, preto e pobre.
Sem lar, sem nada.
E agora, sem praça. 

domingo, 9 de abril de 2017

REFUGIADOS

Em tempos como este, em que vivenciamos um grande número de pessoas deixando sua terra natal em busca de uma nova vida e, nações que, ao invés de estarem com braços abertos, fecham suas fronteiras, agravando ainda mais a situação, em que lado ficar?

Acabei a leitura de dois livros voltados para este tema - refugiados - um best seller ficcional sobre um rapaz africano chamado Samba que após a morte do pai, desejando dar uma vida melhor à família, migra para a França de forma clandestina; e a biografia de Yeonmi Park, uma criança que com sua mãe saem da Coréia do Norte em busca de sua irmã desaparecida e, que enganadas, são vitimas do trafico de mulheres para China, e buscam refugio na Coréia do Norte.

O que ambos tem em comum, a luta por uma vida mais digna, longe de ameaças de morte e da fome, induzidos pela promessa de fatura, riqueza e liberdade e, não apenas isso, a decepção por sentir-se enganados e as dificuldades em adaptar-se a uma nova língua, cultura e o preconceito - xenofobia - dos cidadãos nativos em relação a refugiados estrangeiros.

Marginalizados em guetos nas periferias da cidade, dificuldades para conseguir o documento de cidadania, somados a dificuldade de conseguir um emprego e o medo de serem apanhados pela policia e repatriados, levam os refugiados a teremos comportamentos que, em um extinto puro de sobrevivência, pode beirar a criminalidade, quando não chegar as vias de fato. Como escreveu Yeonmi: "Quando esta faminto e desesperado, você assume qualquer risco para poder viver", situação que fica explicita em Samba, ao se ver obrigado a pegar comidas perto do prazo de vencimento para vender em uma feira ou utilizar o documento de seu tio para conseguir um emprego; uma vez que Yeonmi e sua mãe não tinham outra opção já que sua situação era de escrava.

Recomendo a leitura, que além de atual, por si só, levantam uma série de questões que aos nativos passam desapercebidas e que são, em muitas vezes a causa do aumento da criminalidade e do aumento de moradores de rua em suas cidades, e em casos extremos, a causa de ataques terroristas.

Recomendo!!




Samba
Delphine Coulin
Companhia das Letras



Para poder viver
A jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade.
Yeonmi Park
Companhia das Letras




** Aproveito para agradecer a Companhia das Letras pelo excelente atendimento e troca do livro Samba que veio com defeito e o prazo para troca na loja já havia encerrado.

quarta-feira, 29 de março de 2017

INTERNACIONAL

"Poderia estar triste pois acabaram as minhas férias, mas prefiro pensar que na verdade, só estou dando uma pausa para preparar a próxima viagem".

Assim me despedi das minhas férias no ultimo domingo, ao invés de ficar lamentando a musiquinha do Fantástico, preferi manter o meu coração repleto da beleza que vivenciei nos 8 dias que passei no Uruguai, minha primeira viagem internacional.

Desde criança tinha dificuldades em dormir fora de casa. Demorei muito a me acostumar a dormir em casa de parentes, ficava fabril, vomitava, e tinha que voltar para casa. Mais tarde, tinha que levar comigo minha almofada de penas - presente da minha avó paterna falecida - que de tão velhinha espalhava penas de galinha para todos os lados.

Ainda hoje, gosto mesmo da minha casa, minha cama, meu cheiro, meu canto e, não troco por qualquer lugar. Decidir para onde ir e onde se hospedar é um parto fórceps, preciso me sentir em casa e nem sempre sai barato. Algumas coisas são inegociáveis.

O que me impressionou tanto nesta viagem que mereceu um  texto, o fato de eu não me sentir apenas em casa, mas me sentir na possibilidade de realização de um sonho. Tão perto, mas tão longe. Assim que me senti. O Uruguai é logo ali, são apenas duas horas e trinta de viagem de avião, mas as diferenças são tão gritantes que parece uma viagem a outro continente.

Clima outonal, céu límpido, parques abertos, casas e prédios clássicos, poucos arranha-céus, ruas arborizadas, muitos museus, bustos de celebridades históricas ou obras de arte na maioria de suas praças, cafés, bibliotecas em estilo colonial, um povo educado e simpático em sua maioria. Qualidade de vida, não há pressa como em São Paulo, as pessoas caminham pelas ruas, não correm. Foram apenas oito dias com sensação de muitos, as horas duravam.

Uma amiga me dizia que nasci na época e pais errado, gosto de clima ameno como de outono, de obras clássicas, de coisas antigas, tenho a alma idosa, e Montevideo tem este ar de antiguidade.

Não sei se é apenas surpresa pela primeira viagem internacional, mas, se é verdade que, a primeira viagem internacional a gente nunca esquece, feliz sou eu por ter escolhido o Uruguai.


I love Montevideo.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

MALDIÇÃO & LUZ

Comecei este ano com duas leituras que não imaginei que fossem ser tão pesadas. Livros que numa leitura normal, levaria de 1 a 2 semanas para ler, se estenderam pelo mês inteiro. Isto não significa que são leituras ruins, mas que o tema abordado requer calma, meditação e uma digestão do que se lê, melhor que os demais.

A maldição que pesa sobre a lei - As raízes do pensamento critico em Paulo de Tarso.
Franz Hinkelammert - Ed. Paulus

O livro apresenta a presença de discursos do Apostolo Paulo em Marx. Para ambos a busca da justiça pelo cumprimento da lei produz injustiça, transformando a lei que outrora era boa, em seu contrário, torna-a pecado. As analises referente aos escritos de Paulo e seu contexto social é maravilhosa, pouco se trás sobre a religião em si, mas os argumentos são em minha analise, essenciais para uma teologia voltada para as questões sociais. Os últimos capítulos, são mais densos e de difícil entendimento, pois tratam de temas filosóficos e históricos que caso não haja no leitor um conhecimento mínimo sobre os temas, pode considerar a leitura enfadonha.

Venha, seja Minha luz
Brian Kolodiejehuk - Ed Petra

Trata-se de uma organização quase biográfica dos escritos privados de Madre Teresa de Calcutá. O livro baseia-se nas cartas que ela trocava com seus superiores e família, desde que decidiu deixar sua família para se tornar uma freira. Relata o chamado que recebeu e o "chamado dentro do chamado" o que a fez deixar a segurança do convento para viver em meios aos "mais pobres dos pobres" nas favelas de Calcutá. O livro dá uma vislumbre da vida espiritual pré e pós inicio das Missionárias da Caridade e da secura que se seguiu logo após iniciar os trabalhos junto aos pobres. Sua luta para se manter firme diante dos seus votos secretos de "dar tudo a Ele" e "sorrir para todos" mesmo diante de uma possível perda da fé, mas que na verdade, era uma prova de sua fé, se manter obediente, mesmo quando não havia razão para tal.

 
Recomendo as leituras, devagar para não engasgar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

ÚLTIMAS LEITURAS 2016

Um ano intenso, difícil e com desafios de leituras.
Me atrevi a navegar por mares desconhecidos e leituras mais densas.

Estão aqui as últimas leituras de 2016 (Setembro à Dezembro), com atraso, mas, nunca é tarde para colocar a vida em dia.

As nove lições essenciais que aprendi sobre a vida
Harold S. Kushner

As experiências de vida e espiritualidade de um dos rabinos mais respeitados dos EUA. Uma leitura bacana para quem entende que a religião verdadeira é aquela experimentada no amor ao próximo.



Anarquia e Cristianismo
Jacques Ellul

Um defesa do poder revolucionário do evangelho e suas nuances anárquicas a longo de sua construção histórica. E uma critica a como o evangelho durante a historia foi perdendo seu caráter revolucionário e se amoldando ao poder do Estado.


Harry Potter e a criança amaldiçoada
J.K Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Sou apaixonado pela série de filmes baseados nos livros, sendo este o primeiro livro que leio da saga.
O roteiro da peça teatral estrelada em Londres e que tem tudo para virar um grande sucesso de bilheteria ao tornar-se filme. Deu vontade de conhecer os outros livros, embora seja uma leitura que eu não faça.


Como Jesus se tornou Deus
Bart D. Ehrman

Escrito por um ex-pastor e agora um teólogo e pesquisador agnóstico, o livro desvenda a construção teológica de Jesus como Deus, desde os manuscritos mais antigos à historia da igreja no primeiro século e seus teólogos, o autor desvenda como a teologia acerca de quem é Jesus foi se moldando até a forma que conhecemos hoje.



O Eclipse da Graça - Onde foi parar a boa-nova do cristianismo?
Philip Yancey

Um dos meus autores preferidos, fala sobre com os cristão escondem a graça ao invés de manifesta-la. Uma critica a forma horrenda que cristão modernos tem sido conhecidos e um alento ao mostrar que ainda há remanescentes que clama pelo amor ao próximo e a construção de uma sociedade democrática em todos os aspectos inclusive religiosa.



domingo, 11 de dezembro de 2016

COLCHA DE RETALHOS

Somos uma colcha de retalhos
Alta costura celestial

Diferentes cores,
Diferentes texturas,
Diferentes tamanhos,
Diferentes historias,
Indivíduos.

De tantos lugares,
De tantas alegrias
De dores escondidas,
Saberes, sabores.

Somos um colcha de retalhos
Do evangelho legalista, histórico, pentecostal,
Da prosperidade, católico romano, espirita, ateu.

Unidos pela dor, unidos pelo amor,
Por um evangelho, uma utopia,
Sonho de Deus que, como um nos uniria.

Da Babel distante, confusão,
Do Espirito reinantes, comunhão.

Somos uma colcha de retalhos
com cordas de amor entrelaçados
fios de sangue que Ele verteu.

Somos uma colcha de retalhos
pelo próprio Deus costurados
para aquecer os sonhos seus.


Poema escrito para a apresentação no 1º Sarau da Comunidade Cristã - Zona Leste.
Realizado em 03/12/2016.